Presidente do Olodum reclama da “invisibilidade” dos afro-brasileiros no País

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O presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues dos Santos, afirmou que, apesar de constituírem uma população de 105 milhões de pessoas, os afro-brasileiros são invisíveis em várias áreas da sociedade, como na mídia e também nos altos postos dos governos. Durante audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros e Pobres, ele deu como exemplo o caso de uma representação diplomática brasileira que visitou um país africano sem nenhum representante negro. “Parecia uma delegação escandinava”, ironizou.

Santos procurou também desmistificar as leis abolicionistas e afirmou que, mesmo nos anos 2000, o Brasil ainda convive com escravidão. Ele citou dados que mostram a morte de 525 mil negros de 2002 em diante. Também criticou a Polícia Militar pela maneira violenta com que age diante dos negros, o que resulta em casos como o assassinato de 12 pessoas na favela da Cabula, em Salvador, e outros emblemáticos ocorridos no Rio de Janeiro – a tortura e assassinato do pedreiro Amarildo Dias de Souza e a morte de Cláudia da Silva Ferreira, baleada após uma operação da polícia carioca e depois foi arrastada por 250 metros por um carro da polícia.

O presidente do Olodum fez ainda um discurso contrário à mobilização da sociedade e do Congresso Nacional para reduzir a maioridade penal de 18 anos para 16 anos. “Querem reverter a questão da maioridade para a pré-história da humanidade”, ressaltou.

Ele encerrou sua apresentação inicial na CPI mostrando um vídeo com a música “Samba Rap”, que o Olodum fez em 1994 para denunciar a violência e as carências de políticas e serviços públicos dos negros.

A CPI está reunida no plenário 9.

 

Fonte: Agência Câmara Notícias