INTELIGÊNCIA NATURAL NA POLÍCIA

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Quando se fala em segurança pública no Ceará, muito comum é pedir por mais investimentos “em inteligência”. Mas no que se traduz esse justo anseio popular, que na verdade deseja apenas paz para o ir e vir? Bom, para começar, acredita-se que equipamentos mais velozes, sistemas mais detalhados a respeito dos dados das pessoas, informações mais amiudadas de locais prediletos ou consumo regular, tudo filmado por câmeras com definição mais aguda, espalhadas por toda a cidade e conectadas em tempo real a centrais extremamente modernas, garantam o desejo dos citadinos.

Porém é bom que se diga que tudo isso é importante, mas está na inteligência natural, e não na artificial, o detalhe que não é apenas um mero detalhe. Cabe a essa classe profissional – delegados e delegadas da Polícia Judiciária, comumente chamada de Polícia Civil – julgar primeiramente um fato. Cabe a esse primeiro profissional, com a serenidade necessária e a técnica legal bem fundamentada, a expertise, a experiência, decidir sobre soltura e prisão, além da composição do inquérito que o acompanhará, muitas vezes por todo o restante da vida de alguém.

No Ceará, há quase seis centenas desses profissionais, juntar-se-ão mais cinquenta no início de 2021. Cabe à sociedade, cujo olhar reforça nossa dimensão democrática de estar atento às instituições, acompanhá-los. Aos novatos e novatas, cabe entender seu papel, sabedores dos ônus e bônus desse mister. Aos veteranos e veteranas, ter a ciência de que a partir da investidura ao cargo, todos compõem um corpo só, único e coeso, do qual transbordarão dissabores em todos, caso haja excessos.

Inteligência natural, portanto, é preparo na Academia de Polícia, é estrutura comportamental para as naturais vicissitudes da profissão, foco nos objetivos da atuação, entendimento dos poderes do Estado de Direito, sem excessos ou omissões, vontade de servir, e inequívoca capacidade jurídica do homem, da mulher – delegado e delegada -, para decidir, todos os dias, a cada instante, de acordo com a lei, o futuro imediato de milhares de pessoas.  

Por: Gustavo Pernambuco – Presidente da ADEPOL CEARÁ