DELEGADO STRINGUETA É AFASTADO DO CARGO APÓS CRITICAR MPE

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O delegado Flávio Stringueta, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), foi afastado do cargo, nesta segunda-feira (1º), pela Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil, ao que tudo indica, após criticar o Ministério Publico Estadual (MPE) em um artigo de opinião publicado no fim de semana.

O artigo repercutiu não só no meio jurídico como também entre os formadores de opinião. Apesar do conteúdo do texto ser de cunho pessoal, ele teria sido questionado perante o argumento de que a ação seria para manter um bom relacionamento com o MPE e, por isso, a melhor opção seria afastá-lo de suas funções.


A decisão surpreendeu também alguns delegados. De acordo com seus colegas de profissão, mesmo que Flávio tenha exagerado em expor suas ideias, não é necessário tomar tal atitude.


A reportagem do Gazeta Digital  procurou o delegado-geral da Polícia Civil, Mário Mederval, para conversar sobre o assunto, porém ele afirmou que não há nada oficial e que a decisão do afastamento é feito por uma cúpula da PJC, que no caso é o Conselho Superior de Polícia (CSP), e não apenas por uma pessoa.

Ainda no domingo (28), um dia após o artigo de Stringuenta ser publicado, a Diretoria Geral da Polícia Civil afirmou, por meio de nota, que não compactua com as declarações do delegado. Veja nota completa abaixo.


Artigo de Stringueta


No artigo, o delegado faz menção ao fato do Ministério Público Estadual comprar 400 aparelhos smartphones por R$ 2.232 milhões. Só para Iphone serão gastos R$ 1.683 milhão.


“Semanas atrás, o Brasil inteiro foi surpreendido com várias publicações dizendo que o nosso MPE/MT, cada promotor de “justiça”, receberia um smartphone de última geração (…)”, disse.


“Virou notícia, e vergonha, nacional. O que se esperaria dos promotores, ou seus líderes, ou do inconsequente idealizador desse absurdo? Que não tivessem feito. E, como já tinham feito, que pedissem desculpas à sociedade pelo erro e sumissem de cena. Mas não. Continuaram. Irão receber os tais aparelhos, como se não tivessem condições de ter algo assim para trabalhar e se comunicar. Uma juíza assim autorizou”, continuou em seu texto.


Stringueta ainda questionou o fato de que professores não recebem os mesmos benefícios para ensinar a futura geração.
“Por que, nobres representantes do MPE MT, os professores não receberam equipamentos mínimos para instruírem seus filhos? Por que nenhum de vocês se insurgiu contra o poder público para exigir algo parecido para a instrução dos seus filhos e dos demais estudantes do nosso estado? Vocês acham que foram, e são, éticos?”.


O servidor ainda afirmou que a instituição seria imoral e de que não teria medo de possíveis processos.


“E acrescento: não existe instituição mais imoral que o MPE/MT que o nosso, que senta na própria moralidade e fala das ilegalidades das outras instituições. Serei processado por isso. Eu sei. E até espero que sim. Pois, assim. Poderei abrir as entranhas desse instituição MPE e, por consequência, talvez, o judiciário”. 

Nota de esclarecimento da Polícia Civil 

“A Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso esclarece que não compactua com as declarações emitidas pelo delegado Flávio Henrique Stringueta em artigo divulgado na imprensa, onde tece comentários e críticas ao Ministério Público Estadual e ao Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso.

A Polícia Civil esclarece que o artigo e as matérias consequentemente repercutidas sobre a publicação refletem exclusivamente a manifestação pessoal do delegado e tais opiniões não expressam correlação com as ideias e valores da direção da Polícia Civil em relação ao Ministério Público Estadual e ao Judiciário mato-grossense.

Finalmente, destacamos que o MPE e o Poder Judiciário têm sido grandes parceiros da Polícia Civil de Mato Grosso, com contribuição efetiva em ações de valores inestimáveis ao fortalecimento, estruturação e modernização da instituição, a fim de que os serviços essenciais de investigação criminal e acolhimento de vítimas possam ser continuamente prestados com a melhor qualidade à sociedade mato-grossense.

Atenciosamente,
Diretoria Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso

Fonte: https://www.gazetadigital.com.br