Comissão ouve parentes das vítimas de chacina em Salvador

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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realizou nesta quarta-feira (29) audiência, solicitada pelos senadores João Capiberibe (PSB-AP) e Regina Sousa (PT-PI), com uma comissão de parentes de 12 jovens assassinados por PMs no dia 6 de fevereiro no bairro da Cabula, na periferia de Salvador.

Os jovens morreram durante uma operação da Polícia Militar da Bahia. A corporação alega que os fatos se deram em virtude de uma troca de tiros provocada pela resistência à abordagem e que parte das vítimas tinha passagem por roubo, tráfico de drogas, posse de explosivos e armas de alto calibre. Já os movimentos sociais e os parentes das vítimas negam tal versão e alegam que todos os mortos eram inocentes e sem passagem pela Polícia.

Uma das participantes da audiência foi Edielle Santana, esposa de uma das vítimas. Bastante emocionada, ela fez diversos relatos envolvendo abordagens truculentas por parte da PM.

— Meu marido foi morto porque saiu pra jogar bola. Eu vim, mas a mãe dele não conseguiu. Ele era trabalhador e cheio de sonhos — disse a viúva, acrescentando que há na região áreas utilizadas pela PM para a “desova” de pessoas assassinadas.

Segundo Edielle, exames feitos em algumas das vítimas mostraram sinais de tortura antes da execução, derrubando a hipótese de ter ocorrido troca da tiros. Ela criticou também o fato de a ação policial ter sido elogiada pelo governador Rui Costa (PT).

Edicarla Pinheiro, mãe de um dos jovens assassinados, destacou a brutalidade da ação policial:

— Ele tava indo pro trabalho. O laudo mostra que ele apanhou muito antes de tomar cinco tiros. Foi perversidade pura, era meu único filho e minha dor nunca vai passar.

A senadora Regina Sousa, que presidiu a maior parte da reunião, acatou diversas sugestões apresentadas pelos parentes. Entre elas, buscar uma reunião do grupo com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), solicitar informações sobre os programas de proteção a defensores dos direitos humanos e de testemunhas, requerer laudos necrológicos das vítimas da chacina da Cabula e produzir um levantamento sobre outros casos envolvendo violência policial em Salvador.

Fonte: Agência Senado