SC – Violência em Joinville alerta para crescimento de homicídios em Santa Catarina

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morte de Matheus Avi de Oliveira, de seis anos, vítima de bala perdida no bairro Jardim Paraíso, em Joinville, eclodiu ainda mais a sensação deinsegurança da cidade do Norte do Estado e novamente gera o alerta ao aumento de assassinatos em Santa Catarina.

No mesmo dia, e em período de três horas ocorreram outros dois homicídios no município: de Wagner Rodrigues Nunes, 19 anos (durante a execução o menino acabou atingido) e o empresário Edson Roberto de Paula, 44 anos, logo após sair de um shopping — Paula tinha antecedentes criminais.

Levando em conta os dados oficiais — sem a emoção da brutalidade e da banalização das mortes cada vez mais notadas no Estado, como o crime da Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis — entre 1º de janeiro e 23 de junho aconteceram 377 homicídios contra 361 no mesmo período do ano passado.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirma que há 194 municípios com homicídio-zero, ou seja, 65,76% das cidades não têm registro de assassinato.

Em Joinville, a taxa de homicídios é de 9,5 mortes por 100 mil habitantes, índice menor que a taxa de 10 homicídios/100 mil habitantes indicada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

A maior cidade do Estado, com 554.601 habitantes, registrou 55 mortes violentas em 2015. Destas, a SSP considera que são 49 homicídios. As seis restantes foram mortes em confronto com a polícia (3) e latrocínios (3) — roubos seguidos de morte.

Em Florianópolis são 20 homicídios este ano, o último deles de Luiz Carlos Alves Pereira, 44 anos, executado com 15 tiros na Caeira do Saco dos Limões, na noite de quarta-feira.

As polícias apontam o tráfico de drogas como o principal causador da violência urbana. Especialistas ouvidos pelo DC dizem que é preciso resposta imediata:

— O problema é muito mais profundo, de negligência na educação e segurança por 30 anos. A curto prazo não se pode tolerar. O Estado não pode se acovardar, é preciso agir colocando mais policiais nas ruas — opina o advogado Luiz Fernando Flores Filho, presidente da Comissão de Segurança, Criminalidade e Violência Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC).

“REFORÇO DAS AÇÕES INTEGRADAS E DE INTELIGÊNCIA”

O professor de Direito Penal Alceu de Oliveira Pinto Júnior diz que é preciso trabalhar a prevenção contra as drogas em áreas potenciais de conflito, levando saúde, urbanização e emprego.

A curto prazo, recomenda operações integradas das polícias, reforço no setor de inteligência para identificar se facções de outros Estados estão tentando ganhar espaço e aproximação da polícia comunitária junto à população.

O especialista em segurança e coronel aposentado do Exército, Eugênio Moretzsohn, critica a impunidade e o consumo de drogas:

— Essa violência tem pai e mãe. O pai é o tráfico; a mãe, a impunidade. O tráfico só ficará de joelhos quando a população parar de consumir drogas. São eles (os consumidores) os financiadores da violência. Políticas públicas, como educação, saúde e geração de empregos são importantes, mas o principal é reduzir a demanda, ou seja, o consumo — acrescenta.

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina (Adepol), Ulisses Gabriel, pontua três ações para diminuir os homicídios em Joinville: ampliação do efetivo policial; atenção aos bairros mais violentos não só com a presença policial, mas com ações sociais, educacionais e de saúde e funcionários temporários no atendimento nas DPs a fim de liberar os policiais civis para a investigação.

 

 

Fonte: ZH Notícias