O IMPÉRIO CONTRA-ATACA

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OPINIÃO / RODRIGO RODRIGUES

19.04.2013 | 15h43 – Atualizado em 19.04.2013 | 17h35

O Império contraataca

O MPE poderia divulgar quais parentes de promotores têm cargos no governo

 

No artigo anterior, fiz uma critica à campanha que o Ministério Público desencadeou contra a aprovação do projeto de emenda constitucional número 37. Ao dar um tom mais agressivo, propositalmente, já sabia da reação do exército alienado dos politicamente corretos. Este exército que, aos poucos, vem ganhando força descomunal não poupa ninguém – e, se for o caso, manda prender ou internar.

A crítica foi em relação à campanha contra PEC 37, e não contra a instituição, que fique claro.
Sou um grande admirador do Ministério Público. E, como fã do MP, tenho muito receio que ele caia na vala comum. Acho que a transparência deve ser o norte da instituição, e as críticas de um cidadão comum como eu dever ser encarada como uma contribuição. Afinal o MP está ai para defender e garantir nossos direitos, inclusive o de opinar.

Se o Ministério Público quer o apoio da população para os seus pleitos deve, a priori, dar o exemplo. Poderia começar divulgando uma lista de nomes de parentes de procuradores e promotores de Justiça que tiveram, ou têm, cargos comissionados no Governo do Estado.

Todos nós, contribuintes, queremos saber exatamente quanto ganha um promotor, incluindo as verbas indenizatórias, de quanto é o seu orçamento anual, e todos os gastos detalhados. Por isso, penso que o MP deve mobilizar os cidadãos para prestar contas, informar quantos processos de investigação foram iniciados, quantos foram aceitos pela Justiça, e quantos tiveram êxitos, se transformando em condenação, assim como qual foi o custo de todas essas operações.

Seria interessante que os promotores e procuradores, de forma voluntária, colocassem seus sigilos bancários e fiscais, e quem sabe de seus cônjuges, à disposição de qualquer cidadão.

A ditadura do “politicamente correto” está engessando o debate e repudiando de forma bruta qualquer um que tenha pensamento contrário. Sob o manto da defesa do direitos humanos, do combate aos abusos, da democracia , dos direitos coletivos e individuais, vão imprimindo a sua verdade e trilhando um caminho que sempre foi o embrião dos regimes totalitários e de segregação.

 

Acho que a transparência deve ser o norte da instituição, e as críticas de um cidadão comum como eu dever ser encarada como uma contribuição. Afinal o MP está ai para defender e garantir nossos direitos, inclusive o de opinar”

É o manto medieval da defesa de uma única idéia “correta”. Em um dado momento da história recente, ser judeu era politicamente incorreto, e aí sabemos no que deu.
O patrulhamento ideológico decretou que o MP esta acima de tudo e de todos, imune às criticas. E ai de quem ousar discordar: é sumariamente tachado de defensor de corruptos.

Houve época em que o povo brasileiro teve que lutar para o Brasil tornar-se independente de Portugal, uma luta encabeçada por José Bonifácio. Seis décadas mais tarde, foi a vez de combater o regime monárquico para transformar o país em uma República, luta esta encampada pelos militares, liderada pelo marechal Deodoro da Fonseca.

Aí, veio a luta pelos direitos trabalhistas, com Getúlio Vargas. Na década de 40, vários povos, de diferentes países, se uniram para combater o nazismo. Veio o regime militar, que se estabeleceu por duas décadas no Brasil, dando início a um levante em defesa da democracia e dos direitos individuais, que culminou com o movimento pelas “Diretas Já”, liderado pelo saudoso Dante Martins de Oliveira.

Hoje, somos uma república independente, uma democracia plena, com todos os direitos garantidos, vivendo um momento econômico único na história. O debate ideológico de esquerda e de direita já ficou para trás e perdeu o sentido. A luta agora é contra a “ditadura do politicamente correto”, que anda par em passo com a hipocrisia e os falsos moralistas.

A grande mobilização que deveria estar pautando o debate é a reforma do Código Penal, por penas mais duras para o crime contra vida, deveríamos estar em campanha por uma Justiça mais ágil e isenta e, como já disse no outro artigo, mais independência e estrutura para a polícia.

A grande verdade é que esse patrulhamento já encheu o saco. Não se pode nem fumar um cigarro tranquilamente, que corre-se o rico de ser preso. Defender uma idéia conservadora, ou de direita, então, nem pensar. Dizer que o tal aquecimento global é uma tremenda cascata é pedir pra apanhar, afinal temos que corroborar com o discurso imposto por meia dúzia de ONG’s que defende os interesses do tio Sam, que nós mato-grossenses, em razão do desmatamento, somo os responsáveis pela mudança climática no mundo.

Luis Felipe Pondé, autor de origem judaica, em seu livro o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, cuja leitura recomendo, diz o seguinte: “Sem hipocrisia não há civilização, e isso é a prova de que somos desgraçados: precisamos da falta de caráter como cimento da vida coletiva”.

P.S. Sendo a Imprensa o quarto poder, o Ministério Público quer ser o quinto. Atenção! Abram os olhos companheiros: vem aí a mega-Defensoria Pública querendo ser o sexto!

RODRIGO RODRIGUES é aviador, corretor, perito judicial e membro do Democratas