Defasagem na Polícia Civil: 66% do efetivo total têm mais de 46 anos

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Carlos Moura/CB/D.A Press
Benito Tiezze, presidente do Sindicato dos Delegados: “escala desumana”
A tendência para os próximos anos é de que o deficit de pessoal na Polícia Civil do DF se agrave significativamente. Sem dinheiro até para pagar salário, é improvável que o Governo do Distrito Federal (GDF) reponha a falta de profissionais na corporação tão cedo. Enquanto isso, a média de idade dos profissionais cresce a cada ano — hoje, 715 estão aptos a se aposentar e 66% do efetivo total têm mais de 46 anos. O Sindicato dos Delegados (Sindepo) afirma que a corporação está à beira de um “colapso”.

Mesmo diante da ausência de mão de obra, 450 policiais aprovados em concurso aguardam há mais de um ano a nomeação para assumir a função. O GDF reconhece a necessidade de aumentar o quadro da Polícia Civil, mas argumenta que não há recursos para realizar contratações. Além disso, dois concursos estão em andamento — um para perito e outro para delegado. Diante do cenário desfavorável à entrada de novos servidores públicos, porém, não se sabe quando ocorrerão mais ingressos na polícia.

O presidente do Sindepo, Benito Tiezze, critica o Palácio do Buriti e faz um comparativo à quantidade de homens na polícia em 1993. “Naquela época, Brasília tinha 900 mil habitantes, e o efetivo era maior do que o atual. Hoje, se considerar o Entorno, que também nos afeta, atendemos 4,5 milhões de pessoas”, queixa-se. Na carreira de delegado, o número de profissionais está distante do ideal: há 336 ativos, mas o mínimo aceitável seriam 600. “Os colegas estão fazendo escala desumana. Tem delegacia de polícia cobrindo a área de cinco unidades. A situação é dramática. No plantão, tem delegacia trabalhando sem delegados e acabam virando uma central de flagrantes. Para fazer investigação criminal e combater grandes quadrilhas, tem de ter mão de obra suficiente”, opina.

Fonte: Correio Braziliense

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